Fim de ano chega, os fogos começam… e muitos gatos entram em pânico. Se você já viu seu gato se esconder, tremer, correr sem rumo ou miar desesperado por causa do barulho, saiba: você não está sozinho.
Aqui no Gato Artista, quero compartilhar algo muito simples — e profundamente humano — que funcionou comigo ao longo dos anos. Isso aconteceu tanto com minha gata idosa a Tify quanto com o Lucky, que eu peguei ainda filhote.
Não é uma fórmula mágica. Não é um milagre.
É a convivência, a observação e, acima de tudo, a calma.😺✨

Por que os fogos assustam tanto os gatos?
Gatos têm uma audição extremamente sensível. Isso significa que sons altos, repentinos e imprevisíveis — como fogos, trovões, balões estourando ou até champanhe e gritos altos — são interpretados como uma ameaça imediata. Além disso, a forma como reagimos aos sons também faz toda a diferença.
Aqui está o segredo: os gatos observam muito o comportamento humano e outros animais com quem ele convive. Se você entra em pânico, grita, tapa os ouvidos ou fica tenso esperando o barulho, seu gato vai entender que há algo realmente errado.
Ou seja, medo, muitas vezes, é aprendido.
O que eu percebi ao longo da convivência:
Eu tive duas experiências muito diferentes, mas que me ensinaram a mesma lição: calma e consistência fazem a diferença.
- Tiphany, uma gata já adulta e idosa.
- Lucky, um gatinho que chegou filhote.


Com ambos, uma coisa foi essencial: agir de forma natural.
Eu nunca tive medo de fogos ou trovões. Sempre que o barulho começava, eu não reagia com susto ou tensão. Pelo contrário, fazia o oposto: me comportava como se fosse algo absolutamente comum.
A técnica “bull bull bull” (sim, você leu certo! 😅)
Essa técnica é simples e extremamente eficaz. Eu comecei a aplicá-la com a minha gatinha Tify quando a levei para morar comigo em São Paulo e, com o tempo, aprimorei ainda mais a técnica com o Lucky.
Sempre que eu percebia que um barulho forte estava prestes a acontecer, fazia algo aparentemente simples, porém consistente. E, acima de tudo, algo que realmente funcionou.
Antes do barulho, eu reagia de forma positiva e previsível, dizendo com entusiasmo:
“Ehhhhhhbaaaa… bull bull bull… filhooooo!”
A ideia era simples: antecipar o barulho e normalizá-lo.
Eu falava de forma tranquila, às vezes até batia palmas, como se estivesse falando sobre um assunto qualquer. Dessa forma, o som inesperado deixava de ser um motivo de medo e passava a ser associado a algo bom. Com o tempo, essa repetição ajudou meus gatos a se sentirem mais seguros, mostrando como a comunicação e a constância fazem toda a diferença na relação entre gatos e tutores.
Com o tempo, o Lucky aprendeu que quando eu dizia “bull bull bull”, sabia que viria um barulho — e que estava tudo bem. Mesmo quando ele se assusta um pouco, ele olha para mim, reconhece a situação e volta a dormir tranquilo.
Com a Tiphany, que já era mais velha, o efeito foi muito similar. Ela ainda ouvia os fogos, claro, mas já não entrava em pânico.

Enquanto escrevia e revisava este texto, algo curioso aconteceu que preciso compartilhar com vocês. De repente, ao ler em voz alta, acabei dizendo “bull bull bull” de forma natural. Foi então que o Lucky, que estava por perto, fez um resmungo, como se questionasse: “Eu não ouvi nada?” Ele virou a cabecinha, mexeu as orelhinhas e fez um giro de 180 graus, como se estivesse me perguntando: “Eu não escutei nada?” Eu, claro, pedi desculpas e, em “gatanhês”, expliquei que estava escrevendo sobre ele. Se você é gateiro, certamente vai entender essa “conversa de loucos”! 😄
Os gatos são incrivelmente inteligentes, e essa conexão com o tutor não surge do dia para a noite. Ela é construída diariamente, por meio da convivência, da paciência e, principalmente, da confiança mútua. Posso garantir que é uma das experiências mais gratificantes que podemos viver.
O poder do comportamento do tutor
Vou contar uma história rápida (e engraçada 😄) para explicar melhor o que quero dizer.
Uma vez, o cachorro da minha avó estava em casa quando caiu um trovão muito forte. Ele, assustado, entrou correndo e se enfiou debaixo da cama.
Minha cachorra, que não tinha medo nenhum de barulho, viu aquilo, ficou curiosa e começou a repetir o comportamento.
Depois disso, sempre que havia trovão ou fogos, ela corria para dentro de casa também. Agora, se ela estava com medo ou apenas querendo um lugarzinho mais confortável? Nunca saberemos! 😂
O fato é que ela começou a reproduzir o comportamento apenas ao observar outro animal, e com o tempo isso se transformou em uma rotina. Sempre que ouvia barulhos de fogos ou trovões, passamos a recolhê-la, pois ela sentia um medo intenso. Essa reação se tornou cada vez mais frequente, pois ela associava os barulhos ao momento de busca por refúgio
Mas a lição que fica é clara: os animais aprendem observando outros animais e pessoas.
O que NÃO ajuda (e pode piorar o medo)
Se você quer evitar que seu gato entre em pânico, é importante saber o que não fazer:
- Gritar quando o barulho vem
- Colocar as mãos nos ouvidos
- Ficar tenso esperando o som
- Repetir frases como “meu Deus, vai estourar!”
- Correr para pegar o gato em pânico
Essas atitudes podem reforçar a ideia de que existe um perigo real. Para o gato, isso é claro:
“Meu humano está com medo. Logo, eu também devo estar.”
O que pode ajudar de forma prática
Além da postura calma, aqui estão algumas dicas adicionais que ajudam bastante:
- Crie um refúgio seguro: como uma caixa de papelão ou uma caminha fechada, onde o gato possa se esconder se necessário.
- Mantenha portas e janelas fechadas: isso ajuda a diminuir o impacto do som de fora.
- Coloque um som ambiente suave: como música calma ou TV ligada em volume baixo, para suavizar os barulhos externos.
- Avisar antes de barulhos previsíveis: caso alguém vá estourar um balão ou abrir uma garrafa barulhenta, avise seu gato. Eu faço isso até hoje com o Lucky.
Pode parecer um exagero, mas funciona. 😌
Gato é único, e tudo bem!
Cada gato tem uma personalidade própria e, por isso, a reação a estímulos — como fogos de artifício ou trovões — pode variar bastante. Alguns gatos vão precisar de mais tempo para se acostumar aos barulhos, enquanto outros podem continuar se assustando, mas com menos intensidade ao longo do tempo. O importante aqui é não tentar “curar” o medo, mas reduzir o sofrimento e ajudar seu gato a desenvolver mais confiança em você.

Lembre-se: cada gato é único, e a paciência é fundamental nesse processo. O objetivo não é fazer com que ele “supere” completamente o medo de imediato, mas criar um ambiente seguro e previsível, onde ele possa sentir que está protegido. Assim, com o tempo, a intensidade do medo pode diminuir.
Quando procurar ajuda profissional
Embora a maior parte dos gatos possa se beneficiar de paciência e cuidados adequados para lidar com barulhos altos, há situações em que a ajuda profissional é essencial. Se o seu gato apresentar sinais de medo extremo, como:
- Pânico intenso
- Automutilação (como mordiscar ou se machucar)
- Agressividade intensa e fora do comum
- Tentativas de fuga perigosas
- Estado de choque, como tremores incontroláveis ou paralisia
É fundamental procurar um veterinário especializado em comportamento felino. Eles podem fornecer estratégias específicas para lidar com o medo excessivo, além de recomendar tratamentos mais adequados, se necessário.
Lembre-se: não há vergonha em buscar ajuda. A saúde e o bem-estar do seu gato devem ser a sua prioridade, e um especialista pode ajudar a garantir que ele se sinta seguro e amado, sem sofrimento.
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Em resumo:
Fogos passam.
Barulhos passam.
Mas a confiança do seu gato em você fica.
Às vezes, tudo o que eles precisam é ouvir:
“bull bull bull… está tudo bem.” 🐾💙
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